Moçambique deve reforçar a produção agrícola nacional para reduzir a vulnerabilidade a choques externos, num contexto internacional marcado por conflitos que pressionam os preços dos combustíveis e dos alimentos, defendeu hoje o Presidente da República, Daniel Chapo.
Falando esta segunda-feira (06), no distrito de Guijá, província de Gaza, durante a cerimónia de entrega de insumos agrários e pesqueiros aos produtores afectados pelas cheias, Chapo sublinhou que a agricultura continua a ser o principal alicerce da economia nacional.
“Mais de 80 por cento dos moçambicanos dependem da agricultura. Isso significa que a agricultura continua a ser a base da nossa economia e o alicerce da nossa soberania”, afirmou.
Segundo o Chefe de Estado, eventos climáticos extremos comprometeram a capacidade produtiva das famílias rurais, com a destruição de culturas, infra-estruturas e meios de subsistência.
Dados apresentados indicam que cerca de 441 mil hectares de culturas foram afectados, com impacto em produtos como milho e arroz, além da perda de mais de 428 mil animais.
“No total, cerca de 35 mil famílias viram a sua base produtiva fragilizada. Mas, mais do que os números, importa reconhecer o esforço de famílias inteiras cujo sustento depende da terra”, disse.
Para apoiar a recuperação, o Governo está a distribuir insumos e equipamentos agrícolas, bem como meios para actividades de pesca e aquacultura.
“Serão disponibilizados cerca de 181 mil kits de produção agrícola, 92 mil alevinos, 250 mil quilogramas de ração, 1.300 artes de pesca e 359 embarcações”, avançou, acrescentando que parte do apoio será canalizada através de vales electrónicos para garantir maior transparência.
O Presidente defendeu, contudo, que a resposta não deve limitar-se à emergência.
“Não basta responder à emergência. É imperativo transformar a forma como produzimos, investir em tecnologias agrárias adaptadas ao clima e reabilitar os sistemas de irrigação”, afirmou.
Chapo abordou ainda o impacto dos conflitos internacionais no custo de vida, destacando medidas do Governo para mitigar os efeitos do aumento do preço dos combustíveis.
“Mesmo quando não conseguimos usar as nossas viaturas, vamos subsidiar o transporte público para que o preço não afecte a vida do povo moçambicano”, disse.
Para o estadista, a principal resposta continua a ser o aumento da produção e da produtividade.
“Todos devemos trabalhar na agricultura, mesmo aqueles que estão na cidade, colocando canteiros nos quintais e produzindo a nossa comida”, acrescentou.
O Chefe de Estado apelou à auto-suficiência alimentar, defendendo maior aposta na produção local.
“Com a minha terra, consigo produzir milho, arroz, feijão e hortícolas sem depender dos mercados externos, onde os preços sobem constantemente”, afirmou.
Dirigindo-se à juventude urbana, incentivou o aproveitamento do tempo para realizarem actividades produtivas.
“O tempo gasto no WhatsApp, Facebook ou TikTok é melhor empregá-lo a produzir. Vamos usar esse tempo para trabalhar a terra e produzir comida para a nossa família”, disse.
Chapo destacou ainda o papel das confissões religiosas no apoio às comunidades afectadas, agradecendo o acompanhamento espiritual durante as cheias e ciclones.
“A oração que escutamos reforça a nossa fé e recorda-nos que, mesmo diante das adversidades, o nosso povo encontra sempre a força para recomeçar”, afirmou.
Concluindo, reiterou que o reforço da produção agrícola é essencial para a segurança alimentar e económica do país.
“Moçambique não será definido pelas adversidades que enfrenta, mas pela forma como decide enfrentá-las e seguir em frente”, disse.(AIM)
