O gás natural está a impulsionar uma nova etapa das relações económicas entre Moçambique e a República da Coreia, com o Governo moçambicano a procurar captar investimentos sul-coreanos para acelerar a industrialização, promover a transformação económica e criar emprego.
A retoma dos grandes projectos de gás, em particular o Mozambique LNG, surge como um dos principais motores desta aproximação entre os dois países.
A abordagem foi apresentada pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, durante a Reunião Ministerial Coreia-África, realizada em Seul sob o lema “Parceria para Respostas Conjuntas aos Desafios Globais”, que reúne representantes de cinquenta países africanos e altas entidades governamentais sul-coreanas.
Perante investidores e decisores políticos, o governante destacou Moçambique como um destino atractivo para o capital sul-coreano, sublinhando factores como a abundância de recursos naturais, a localização estratégica, a juventude da população e o elevado potencial de crescimento económico.
Segundo Valá, a retoma do projecto Mozambique LNG representa uma oportunidade histórica para aprofundar a cooperação económica entre Maputo e Seul. O governante defendeu que os projectos de gás natural devem ser vistos não apenas como plataformas de exportação de gás natural liquefeito, mas como instrumentos capazes de impulsionar a industrialização nacional.
A exploração do gás poderá estimular o desenvolvimento de infra-estruturas, criar novas oportunidades de emprego, fortalecer a segurança energética e promover o surgimento de indústrias associadas à cadeia de valor energética.
Neste contexto, Moçambique pretende atrair empresas sul-coreanas para sectores como engenharia, logística, petroquímica, fertilizantes, produção de energia, construção naval, equipamentos industriais e serviços especializados ligados ao gás natural.
A aposta ganha relevância tendo em conta a experiência da Coreia do Sul em áreas como engenharia pesada, indústria transformadora, inovação tecnológica e construção naval, sectores considerados fundamentais para a transformação económica moçambicana.
Além do gás natural, Moçambique procura captar investimentos sul-coreanos para a exploração e processamento de minerais críticos, cada vez mais procurados no contexto da transição energética mundial.
“O país dispõe de importantes reservas de grafite, lítio, titânio e outros minerais estratégicos utilizados na produção de baterias, veículos eléctricos e tecnologias limpas”, referiu.
Assegurou que, o objectivo do Governo passa por promover o processamento local destes recursos, aumentando o valor acrescentado gerado no país e estimulando o desenvolvimento de novas indústrias. Para tal, procura investimentos que garantam não apenas financiamento, mas também transferência de tecnologia, inovação e formação de quadros nacionais.
Durante a sua intervenção, Salim Valá destacou a trajectória de desenvolvimento da Coreia do Sul como uma fonte de inspiração para Moçambique.
“Em poucas décadas, o país asiático transformou-se de uma economia essencialmente agrícola numa potência industrial e tecnológica global. Para o Governo moçambicano, a cooperação com Seul poderá contribuir para acelerar o processo de modernização económica através da transferência de conhecimento e da capacitação técnica”, vincou.
Entre as áreas prioritárias de cooperação destacam-se a indústria transformadora, energia, infra-estruturas, tecnologias digitais, engenharia, construção naval e formação técnico-profissional.
O Ministro aproveitou igualmente a ocasião para transmitir uma mensagem de confiança aos investidores internacionais, sublinhando os progressos registados na estabilização de regiões anteriormente afectadas por desafios de segurança.
Segundo explicou, a retoma de grandes projectos de investimento demonstra a confiança crescente do sector privado internacional nas perspectivas económicas do país.
Paralelamente, o Governo continua a implementar medidas destinadas a melhorar o ambiente de negócios, através da modernização administrativa, digitalização de serviços públicos, simplificação de procedimentos e aperfeiçoamento do quadro legal de investimento.
A Reunião Ministerial Coreia-África decorre num contexto de crescente aproximação entre a República da Coreia e os países africanos, com destaque para áreas como comércio, investimento, tecnologia, energia e desenvolvimento sustentável.(AIM)
