O ambiente no Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) subiu de tom nos últimos dias. A detenção do director-geral, Joaquim Siúta, juntamente com quadros seniores e um empresário do sector da construção civil, marca o início de uma investigação que promete abalar as estruturas de várias instituições públicas no país.
De acordo com informações apuradas pelo jornal Evidências, as audições em curso no Tribunal Judicial da Cidade de Maputo estão a fornecer novos elementos que podem alargar o número de envolvidos, escalando para o Ministério do Trabalho, a Assembleia da República e outras entidades de peso.
As suspeitas recaem sobre a instrumentalização de concursos públicos e o desvio de fundos destinados à segurança social. O modus operandi envolveria a sobrefacturação em contratos de comunicação, informática e obras de construção de delegações provinciais.
Em termos de valores, um serviço estimado em 500 mil meticais seria adjudicado por valores próximos de 2 milhões de meticais, sendo o excedente alegadamente entregue a facilitadores e figuras com influência política.
Entre os detidos, destaca-se a situação de um técnico que terá sido penalizado por assinar documentos sem a devida verificação. No entanto, a investigação do SERNIC e do Gabinete Central de Combate à Corrupção foca-se agora no centro nevrálgico das decisões, onde se acredita que figuras de maior calibre os chamados “peixes graúdos” operavam nos bastidores para evitar a exposição.
Embora o Ministério do Trabalho tenha reafirmado a solidez do sistema de pensões e a continuidade dos serviços, a pressão política é evidente. Analistas indicam que, se a investigação avançar de forma independente, poderá desmantelar uma rede complexa de interesses cruzados entre o Estado e o sector privado, onde empresas sem histórico consolidado venciam concursos sistematicamente devido a ligações políticas.
