Moçambique sofre ataques terroristas desde 2017. As soluções internas mostraram-se insuficientes, levando o governo a solicitar apoio externo, tanto bilateral (Ruanda) quanto multilateral (SAMIM, UE).
As tropas ruandesas entraram oficialmente em Junho de 2021 com o objetivo de apoiar as forças moçambicanas na luta contra o terrorismo e estabilizar Cabo Delgado. Após quase cinco anos de operação, a reflexão impõe-se: o Ruanda, conseguiu vencer o terrorismo e estabilizar Cabo Delgado?
Os dados oficiais são escassos, mas, desde a chegada de Ruanda ao país, relatos de ataques terroristas, ocupação de postos administrativos e localidades pelos terroristas, decapitações de camponeses e expansão do terrorismo para Niassa e Nampula, mostram que o terrorismo persiste em quase na mesma intensidade. Isso sugere que a presença ruandesa não atingiu plenamente os objectivos anunciados.
Se a missão tivesse sido conduzida sem interesses particulares, a sua eficácia deveria ser mais visível. Se assim o fez, então Ruanda não é um parceiro adequado para vencer o terrorismo. Não há evidências claras de que Ruanda tenha feito mais do que Moçambique no teatro operacional norte. Assim, a eventual retirada das tropas ruandesas pode não ser sentida de forma significativa pela população e pela tropa governamental, a menos que haja novos intervenientes que lutam a favor dos terroristas.
