A Montepuez Ruby Mining (“MRM”) anunciou o relançamento do projecto de financiamento de pequenas iniciativas de empreendedorismo no Posto Administrativo de Namanhumbir, denominado “Opyithikula Ocumi” (Transformando Vidas, na língua local emakhuwa). Orçado em um milhão e duzentos mil meticais (MZN 1 200 000), o projecto já beneficia 24 cidadãos, sendo 12 da aldeia de Nseue e 12 Namanhumbir-sede, na sua maioria jovens.
Alfredo Guilherme, jovem de 25 anos de idade residente de Nseue, sempre sonhou em ser comerciante e o Opyithikula Ocumi ofereceu um começo. “Vou usar o dinheiro para comprar uma variedade de produtos e revender na comunidade. Acredito que posso crescer no negócio e cuidar da minha família”, declarou.
Para além de apoiar o estabelecimento de novas iniciativas de empreendedorismo, o projecto abrange igualmente iniciativas já estabelecidas, com vista ao seu fortalecimento, consolidação e melhoria contínua. Este é o caso de Aida Rajabo, de 24 anos e residente em Namanhumbir-sede. Com o financiamento de 50 mil meticais recebido da MRM vai servir para expandir o negócio. “Eu usar este dinheiro de forma responsável para motivar a empresa a apoiar mais jovens”, disse Aida.
Em 2024, a MRM adoptou uma abordagem que consiste na em colocar as comunidades no centro da tomada de decisões em relação aos projectos comunitários. Para o efeito, foram criados Comités de Gestão de Desenvolvimento Comunitário (comités) em cada comunidade, compostos por representantes de diferentes extractos e grupos sociais. Através destes comités, foram elaboradas as Agendas Comunitárias para o período de 2025–2027, nas quais as comunidades de Nseue e Namanhumbir-sede identificaram o financiamento de iniciativas de empreendedorismo como uma das suas principais prioridades.
Assim como os valores envolvidos, os beneficiários da iniciativa foram seleccionados pelas próprias comunidades e deverão prestar contas à comunidade por intermédio dos respectivos comités. Neste novo modelo, a MRM assume o papel de parceiro e financiador das iniciativas identificadas e priorizadas pelas comunidades.
O Secretário Permanente do Distrito de Montepuez, Abudo Carlos, apelou as comunidades ao redor da operação mineira a contribuírem no combate à mineração ilegal para garantir que mais projectos de responsabilidade social sejam implementados. O dirigente declarou que “o garimpo ilegal não é sustentável e em nada beneficia as comunidades, pois os financiadores deste crime não deixam nada para Moçambique, seja em forma de impostos ou iniciativas sociais”.
O Opyithikula Ocumi foi lançado pela primeira vez em dezembro de 2023, porém, a sua implementação não foi possível devido às dificuldades financeiras enfrentadas pela empresa, caracterizadas pela baixa produção e pelas reduzidas receitas. Esta situação foi ainda mais afectada negativamente pela mineração e comércio ilegais, que inundam o com pedras preciosas ilícitas e mais baratas, impedindo que a MRM obtenha melhores preços e, assim, gerar mais impostos e royalties para Moçambique, apoiando consistentemente o desenvolvimento local.
