
Moçambique e a China reforçaram a visão de um futuro compartilhado ao lançar oficialmente a construção do Centro Cirúrgico Nacional, empreendimento considerado um novo marco da cooperação bilateral no sector da saúde e resultado dos consensos alcançados entre os Presidentes Daniel Chapo e Xi Jinping para aprofundar a parceria entre os dois países.
Na cerimónia de lançamento da primeira pedra da infra-estrutura, a Embaixadora da China em Moçambique, Zheng Xuan, afirmou que o projecto traduz os compromissos assumidos pelos dois Chefes de Estado durante a visita oficial do Presidente Daniel Chapo à China, em Abril deste ano, quando ambos decidiram elevar as relações bilaterais para uma Comunidade com Futuro Compartilhado China–Moçambique na Nova Era.
Segundo a diplomata, o entendimento alcançado ao mais alto nível abriu novas perspectivas para a cooperação na saúde, prevendo, entre outras acções, a continuidade do envio de equipas médicas chinesas, o reforço da cooperação entre hospitais dos dois países, a criação de um Centro Médico Conjunto, bem como o aprofundamento da colaboração nas áreas da capacidade laboratorial, prevenção e controlo de doenças transmissíveis, indústria farmacêutica, vacinas e medicina tradicional.
Zheng Xuan sublinhou que a China tem mantido o apoio ao desenvolvimento do sistema nacional de saúde moçambicano através da formação de profissionais, fornecimento de equipamentos e medicamentos, assistência médica e implementação de projectos estruturantes.
“Ao abrigo do acordo assinado entre os dois Governos, a China financiará a construção de um moderno edifício cirúrgico no Hospital Central de Maputo, com 475 camas e mais de 20 mil metros quadrados de área construída, incluindo serviços de urgência, internamento, áreas técnicas e administrativas”, disse.
A Embaixadora manifestou convicção de que a nova unidade hospitalar reforçará significativamente a capacidade cirúrgica e a qualidade da assistência médica em Moçambique, tornando-se igualmente um símbolo da amizade e da cooperação sino-moçambicana.
Em entrevista à AIM, o Ministro da Saúde, Ussene Isse, destacou que a cooperação com a China está a produzir resultados concretos para o fortalecimento do Sistema Nacional de Saúde, identificando três ganhos estratégicos.
O primeiro consiste na construção do Centro Cirúrgico Nacional, que classificou como uma das maiores infra-estruturas cirúrgicas da África Austral e destinada a elevar significativamente a capacidade de resposta do país na realização de cirurgias especializadas.
O segundo é a criação do Centro Integrado China–Moçambique para tratamento de trauma, vocacionado para responder ao crescente número de vítimas de acidentes e outras lesões graves, um dos maiores desafios actuais da saúde pública nacional.
O terceiro ganho reside no início das negociações para a instalação de fábricas de medicamentos, equipamentos e material médico em Moçambique, iniciativa que permitirá reduzir a dependência das importações e reforçar a capacidade nacional de resposta perante futuras emergências sanitárias.
Segundo o ministro, a experiência da pandemia da Covid-19 demonstrou a importância da produção local de medicamentos e equipamentos para garantir maior segurança ao sistema nacional de saúde.
Ussene Isse destacou igualmente que a cooperação sino-moçambicana na saúde já produziu resultados expressivos ao longo das últimas décadas. Desde 1976, a China enviou 26 equipas médicas ao país, integrando mais de 383 especialistas de diversas áreas, que prestaram assistência a cerca de 1,4 milhões de moçambicanos.
Para o governante, estes resultados demonstram que a parceria entre os dois países continua a traduzir-se em benefícios concretos para a população, consolidando a cooperação como um dos pilares das relações entre Moçambique e a China.(AIM)




