O sector tecnológico moçambicano registou, no último sábado (25), um dos seus momentos mais simbólicos com o lançamento do Menor All In One Pro, também denominado “Celeste Pro”. Desenvolvido pela Menor Electronics, o equipamento surge como uma aposta ambiciosa que procura colocar a produção nacional em competição directa com grandes marcas internacionais, evidenciando a crescente maturidade da inovação tecnológica no país.
O novo desktop apresenta especificações de alto desempenho, destacando-se pelo monitor curvo ultra-wide de 34 polegadas, resolução de 3440×1440 e suporte a 4K, além de uma capacidade gráfica avançada assegurada por duas placas RTX 3060 e RTX 4060 aliadas a 32GB de memória RAM. O conjunto foi concebido para responder às exigências de profissionais criativos, programadores e entusiastas de tecnologia.
Durante o evento de apresentação, o CEO da empresa, António Mondlane, sublinhou o compromisso com a inovação contínua, dois anos após o primeiro grande lançamento da marca. O responsável destacou que o Celeste Pro representa uma evolução significativa, sustentada por “nova estrutura, engenharia e arquitectura”, reforçando a visão de longo prazo da empresa.
Com mais de 2.200 unidades já comercializadas, a Menor Electronics projeta um crescimento acelerado, com a meta de atingir 5 milhões de unidades até 2030 e expandir-se para mercados internacionais. Como parte dessa estratégia, está em construção um novo edifício na Matola, que deverá incluir um laboratório tecnológico destinado ao desenvolvimento local de soluções de hardware e software. A ambição, segundo Mondlane, é clara: “produzir integralmente em Moçambique até 2035”, com recurso a materiais recicláveis.
O lançamento atraiu a atenção de instituições financeiras e parceiros comerciais. Representantes do sector bancário manifestaram apoio à iniciativa, destacando o seu potencial para elevar o posicionamento da indústria nacional no contexto global. No mercado, revendedores classificam o produto como competitivo e defendem o consumo interno como motor de crescimento económico.
Apesar do entusiasmo, o evento também expôs desafios estruturais. Participantes apontaram a reduzida presença de entidades públicas e grandes empresas, criticando a preferência por marcas importadas em detrimento de soluções locais. Para vários intervenientes, o fortalecimento da indústria tecnológica nacional depende de políticas mais consistentes de incentivo, bem como da valorização do talento jovem.
Ainda assim, o Celeste Pro surge como um símbolo de mudança, demonstrando que Moçambique começa a afirmar-se num sector altamente competitivo. Mais do que um produto, o lançamento representa um sinal de que a inovação tecnológica nacional pode evoluir de forma sustentada, com potencial para ultrapassar fronteiras e redefinir o papel do país na economia digital.
