Desde segunda-feira, 2 de Março, enviar dinheiro em Moçambique passou a ser mais rápido. Bancos comerciais, microbancos e operadores de carteiras móveis começaram a operar com o novo Sistema de Pagamentos Instantâneos de Moçambique (SPIM), uma plataforma criada pelo Banco de Moçambique para permitir transferências imediatas entre contas bancárias e carteiras móveis.
Na prática, isso significa que o dinheiro transferido deixa de “ficar a caminho” durante horas ou dias. Com o SPIM, o valor entra na conta do destinatário quase no mesmo instante em que é enviado.
O novo sistema foi oficialmente estabelecido através do Aviso n.º 1/GB/2026. Trata-se de uma infraestrutura electrónica nacional que liga bancos e carteiras móveis numa única rede. A gestão da plataforma está a cargo da Sociedade Interbancária de Moçambique, entidade responsável pelos sistemas de pagamentos no país.
Uma das principais novidades é que o sistema funciona permanentemente — 24 horas por dia, incluindo fins-de-semana, feriados e tolerâncias de ponto. Ou seja, deixa de haver “horário bancário” para transferências digitais.
Os limites máximos por dia podem ir até: 200 mil meticais para pessoas singulares; 500 mil meticais para empresas.
Cada instituição financeira poderá, dentro desses tectos, definir os seus próprios limites operacionais.
Carteiras móveis lideram no país
Os dados mais recentes do banco central mostram uma realidade clara: Moçambique tem muito mais contas de carteira móvel do que contas bancárias tradicionais.
Em Novembro do ano passado, o país registava: 24,6 milhões de contas de moeda electrónica; 6,6 milhões de contas bancárias convencionais.
Entre 2024 e 2025, as carteiras móveis cresceram de 19,9 milhões para 24,6 milhões, enquanto as contas bancárias tiveram um crescimento mais moderado.
Actualmente operam no país três Instituições de Moeda Electrónica: M-Pesa; e-Mola e M-Kesh.
Estas plataformas, operadas pelas telecomunicações Vodacom, Movitel e Tmcel, passam agora a estar totalmente integradas com os bancos através do SPIM.
Ao mesmo tempo, o número de infraestruturas físicas tem diminuído. Os terminais ATM reduziram ligeiramente, assim como os POS. No entanto, o país conta com mais de 400 mil agentes de carteiras móveis espalhados pelo território, o que reforça o acesso aos serviços financeiros, sobretudo nas zonas onde não existem balcões bancários.
O que muda para o cidadão?
Para o cidadão comum, a mudança é simples: Transferências mais rápidas; Maior integração entre bancos e carteiras móveis; Disponibilidade permanente do serviço; Redução do tempo de espera para receber dinheiro.
Com o SPIM, o sistema financeiro nacional dá um passo importante rumo à modernização e à inclusão financeira, aproximando-se de modelos já adoptados em vários países africanos. Redacção
