O Presidente da República, Daniel Chapo, apelou ao diálogo entre as partes em conflito na República Democrática do Congo (RDC).
À margem da cimeira de chefes de Estado e de Governo da União Africana, em Addis Abeba, Chapo manteve um encontro bilateral com o seu homólogo congolês, Félix Tshisekedi.
O Governo de Tshisekedi enfrenta uma insurgência no leste do país liderada pelo grupo rebelde M23. O Executivo congolês considera tratar-se de uma guerra por procuração e acusa o M23 de ser apoiado pelo Ruanda. O Governo ruandês, liderado por Paul Kagame, com quem Moçambique mantém excelente relações, tem negado reiteradamente essa acusação.
Falando numa conferência de imprensa de encerramento da cimeira da UA, Chapo defendeu que a única via para resolver os vários conflitos armados que afectam o continente é o diálogo.
“A nossa posição é sempre a favor do diálogo”, declarou.
Chapo afirmou que partilhou com o Presidente congolês as soluções que Moçambique tem vindo a encontrar para os seus próprios desafios.
Moçambique enfrenta, há mais de oito anos, uma insurgência jihadista na região norte do país. O Governo caracteriza-a como uma agressão terrorista externa, embora a maioria dos combatentes seja constituída por nacionais moçambicanos, a par de tanzanianos oriundos do outro lado da fronteira de Cabo Delgado. Desde 2021, o Ruanda destacou milhares de tropas para Cabo Delgado com o objectivo de apoiar o combate à insurgência.
Actualmente, Moçambique iniciou um “diálogo nacional inclusivo”, com base num documento assinado por Chapo e nove partidos políticos, que poderá conduzir a revisões da Constituição da República e da legislação eleitoral.
O Chefe do Estado disse pretender que todos os partidos políticos, representados ou não na Assembleia da República, bem como todos os estratos da sociedade moçambicana, participem no diálogo nacional.
“Não há moçambicanos excluídos”, declarou.
Chapo mostrou-se igualmente optimista quanto ao reforço das relações entre a RDC e os Estados Unidos da América. Os dois governos assinaram um acordo de parceria estratégica, que, segundo Chapo, poderá contribuir para a garantia da paz.
O tema central da cimeira da União Africana é a disponibilidade sustentável de fontes de água potável. Chapo sublinhou o compromisso do seu Governo em aumentar a percentagem da população moçambicana com acesso à água segura. Prometeu que, até Junho, o Governo irá lançar uma nova iniciativa no domínio do abastecimento de água, denominada “PROAGUAS”. Não avançou detalhes, mas indicou que a iniciativa abrangerá tanto as zonas urbanas como as rurais.
