Inicialmente batizada por operação militar especial, hoje uma guerra que dura a quatro anos, o impacto principal é de número elevado de perdas humanas e econômicas fora das expectativas iniciais do presidente russo Vladimir Putin, e para além da destruição, o resto está quase tudo nas mesma, as fronteiras do conflito pouco e quase nada se alterou desde 2022 como pretendido domínio russo de toda Ucrânia que hoje está restrito a cerca de 20% do território ucraniano; com baixas de ambos os lados estão perto de 2 milhões.
Estão já completados quatro anos da invasão da Rússia na Ucrânia, um conflito que poderá atingir a marca de 2 milhões de baixas (entre mortos, feridos e desaparecidos) em ambos os lados até o final da primavera – período que vai de março a maio. Uma guerra que segundo definiu recentemente em artigo o think tank britânico Royal United Services Institute (RUSI), “a Ucrânia não está perdendo e a Rússia não está vencendo” o conflito.
Assim como no campo de batalha, as negociações em busca da paz ou de um cessar-fogo de mais duradouro também se arrastam sem uma solução. Apesar das promessas do presidente Donald Trump de os Estados Unidos mediar um acordo de longo prazo, pouco se evoluiu desde sua posse no início de 2025.
De concreto, houve uma diminuição de ajuda financeira e militar em relação ao que ocorria na gestão de Joe Biden, com a Europa assumindo assim uma postura mais assertiva.
Para o jornalista moçambicano Duarte Sitoe “o conflito não tinha nem tem razão de ser, estamos numa era onde as nações deveriam procurar se potencializar industrialmente e nao se organizar para conflitos militares que só criam desgraça que afeta o mundo todo e hoje o impasse que se verifica é porque o senhor Putin não tem como admitir que foi um erro e terminar com a guerra porque estas difícil atingir os seus objectivos iniciais como ele pensa”.
No auge da fase inicial da invasão, em março de 2022, as forças russas tomaram cerca de 115.000 quilômetros quadrados em menos de cinco semanas. Porém, já em abril daquele ano, a Ucrânia havia retomado mais de 35.000 quilômetros quadrados. Em novembro, essa recuperação de território chegou a aproximadamente 75.000 quilômetros quadrados, inclusive por meio de contra ofensivas bem-sucedidas ao redor de Kharkiv e Kherson. Calcula-se que a ofensiva russa ocupa hoje 12% da Ucrânia, fatia que sobe para 20% se considerados os territórios da Crimeia e de parte de Donbass, tomados antes de 2022.
Segundo o think tank americano Center for Strategic and International Studies (CSIS), as forças russas avançaram em média apenas entre 15 e 70 metros por dia em suas ofensivas mais proeminentes, o movimento mais lento do que quase qualquer grande campanha ofensiva em qualquer guerra do último século.
Para o relógio e activista social Albath da Cruz, “Putin cometeu um grande erro que hoje não consegue corrigir por isso prefere continuar com a guerra onde já não pode recuperar e faz pressão a Ucrânia para ceder suas terras num total absurdo que tambem nao acolhido nem pelo Kiev e nem a europa toda aceita tamanho disparate sem sentido, razão pela qual as negociações não avançam e no campo de batalha não está conseguindo alcançar seus objetivos se não destruir infra-estruturas na Ucrânia”.
Denúncias de recrutamento estrangeiro e mão de obra africana
Ao longo doos quatro anos da guerra, surgiram denúncias de que a Rússia chegou a recorrer ao recrutamento de estrangeiros para suprir necessidades militares e industriais ligadas ao conflito. Relatórios de organizações internacionais e investigações jornalísticas apontam a presença de combatentes oriundos de diversos países, incluindo nações africanas.
Também há relatos sobre o recrutamento de trabalhadores estrangeiros incluindo africanos e, segundo denúncias, algumas cidadãs moçambicanas para atividades em fábricas militares, particularmente na produção de drones e outros equipamentos de guerra. Muitos desses indivíduos teriam sido atraídos por promessas de emprego, bolsas de estudo ou melhores condições de vida, levantando preocupações sobre possíveis situações de exploração laboral e falta de transparência nos contratos.
Autoridades e organizações de direitos humanos alertam para os riscos de tráfico de pessoas, trabalho forçado e utilização de civis estrangeiros em atividades diretamente relacionadas ao esforço de guerra.
Sobre o recrutamento de africanos para o conflito e a industria da guerra, ouvimos Natalia Tembe uma educadoras de infância, aconselhadora juvenil e recrutadora de empregadas domésticas na cidade de Maputo que com choque, mostrou sua tristeza e lamentou “muita coisa está acontecendo neste mundo e o valor humano está cada vez mais a quem do esperado isso é triste enganar pessoas para se envolverem em guerra sem razão de ser o senhor Vladimir Putin esta passar dos limites e o mundo precisa se levantar para de uma só forma gritar contra as atrocidades deste senhor”
Outra conta importante do conflito é a que mostra o deslocamento forçado da população civil. De acordo com estimativas do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), atualmente há aproximadamente 5,3 milhões de refugiados ucranianos em toda a Europa. Dessas, 4,3 milhões estão em países da União Europeia.
Embora a Polônia tenha registrado o maior número de pessoas deslocadas à força em 2022, a Alemanha é atualmente o principal destino. De acordo com as estatísticas mais recentes, atualmente há cerca de 1,3 milhão de refugiados ucranianos residindo na Alemanha. O número de chegadas flutua, mas continua significativo. No verão de 2025, o aumento líquido de migração (número de chegadas menos o número de partidas) foi de 7.000 a 8.000 por mês.
