A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos Solidários de Moçambique (APSUSM) acusou o Governo de não reconhecer a gravidade das consequências da recente paralisação no sector da saúde, alegando que mais de 1.116 pessoas terão morrido durante o período da greve — óbitos que considera evitáveis.
Em conferência de imprensa citada pela Eco, o presidente da organização afirmou que o país enfrenta um “colapso estrutural” no Sistema Nacional de Saúde e criticou a postura do Executivo perante as denúncias apresentadas pelos profissionais. “O povo está a morrer e o Governo ainda pede provas?”, questionou, numa alusão às exigências oficiais de evidências formais sobre o impacto directo da greve.
De acordo com a associação, as mortes estarão relacionadas com a falta de atendimento em diversas unidades sanitárias, escassez de medicamentos, insuficiência de material médico-cirúrgico, ausência de reagentes laboratoriais e limitações no funcionamento regular dos serviços hospitalares.
A APSUSM sustenta que a crise no sector da saúde não teve início com a greve, defendendo que a paralisação apenas tornou mais visíveis fragilidades acumuladas ao longo dos anos. “Formámo-nos para salvar vidas, não para assistir à degradação contínua do sistema”, afirmou o dirigente.
A organização reiterou o apelo a um diálogo “sério, estrutural e orientado para resultados”, defendendo reformas profundas no sector e responsabilização política. Criticou ainda declarações oficiais que indicam que “algumas unidades sanitárias estão a funcionar”, considerando que essa posição desvaloriza o impacto registado nas restantes instituições de saúde afectadas.
