
Por: Carlitos Pedro
A riqueza do subsolo moçambicano do carvão de Tete ao gás da Bacia do Rovuma e às areias pesadas de Nampula consolidou o sector extractivo como o motor da economia nacional. Contudo, o grande desafio da atualidade não é a existência destes recursos, mas sim aprimorar a sua exploração para que a riqueza se traduza em desenvolvimento tangível e na efectiva melhoria de vida de todos os moçambicanos.
Ganhos Visíveis: Responsabilidade e Impacto Social
Embora que não seja o mais desejado, o impacto da indústria já desenha novos contornos socioeconómicos. Megaprojectos geram milhares de empregos e sustentam uma vasta rede de pequenas e médias empresas através do reforço do empreendedorismo local.
A responsabilidade social das empresas mineiras tem sido a face mais visível deste processo. Empresas como a Sasol (Inhambane), Kenmare (Nampula), Vulcan (Tete) e TotalEnergies (Cabo Delgado) investem fortemente em infra-estruturas. O provimento de água potável, energia, hospitais e bibliotecas dinamiza as regiões de operação. Além disso, a construção de escolas tem sido um pilar crucial na redução do analfabetismo nas zonas rurais. Embora estas acções assumam dimensões gigantescas nos relatórios financeiros das empresas, analistas defendem que este impacto precisa de ser mais visível e integrado no dia-a-dia da população.
Naturalmente que, em toda cadeia da exploracao e benefico para o pais sucita varios debates em quase toda socieda o destaque maior vai para a: benefico para as comunidades e para o Estado, empregabilidade, Justiça Social e a inclisão das empresas nacionais.
Para compreender a profundidade do tema, ouvimos diferentes sensibilidades que acompanham o pulso da exploração extractiva no país.
Para o Pesquisador económico especialista em análise de retorno sobre o investimento e análise de mercado Clécio Foia, “Existe uma tendência para avaliar o sucesso dos projectos de gás exclusivamente através das exportações, das receitas fiscais ou do crescimento do Produto Interno Bruto. Embora estes indicadores sejam relevantes, considero que existe uma métrica muito mais determinante: quantas empresas moçambicanas sairão deste projecto maiores, mais competitivas, mais certificadas, financeiramente mais sólidas e aptas a disputar contratos internacionais. Como economista, continuo convencido de que os grandes projectos não transformam economias apenas porque movimentam milhares de milhões de dólares. Transformam economias quando conseguem deixar capacidades permanentes”.
Foi acrecescentou dizendo: “A exploração das vastas reservas de gás natural da Bacia do Rovuma e de minerais críticos posiciona Moçambique como um ator estratégico na transição energética global, prometendo alavancar o PIB e atrair investimento direto estrangeiro sem precedentes. No entanto, do ponto de vista macroeconómico, o verdadeiro desafio não reside na extração em si, mas na capacidade de mitigar os riscos da “Doença Holandesa” e evitar a criação de um enclave económico isolado do restante tecido produtivo. Para que esta riqueza se traduza em desenvolvimento inclusivo, é fundamental fortalecer a governação fiscal, reforçar a transparência e priorizar o conteúdo local para dinamizar as pequenas e médias empresas nacionais.
A operacionalização rigorosa do Fundo Soberano é o pilar decisivo desse processo; canalizar de forma disciplinada os dividendos energéticos para o capital humano, infraestruturas e diversificação económica é o único caminho para transformar recursos finitos em prosperidade sustentável e imune à volatilidade do mercado internacional.
Enquato que, para o Jornalista Saimone Kabwe “Os avanços fiscais são notórios, mas o país precisa de aprimorar a retenção de valor. A prioridade deve ser a industrialização local para absorver a mão-de-obra jovem nacional, reduzindo o desemprego de quadros recém-formados que hoje clamam por oportunidades de emprego.”
Por sua vez a ativista infantil Celia Claudina “A responsabilidade social das empresas é valiosa, mas o desenvolvimento real exige justiça social e foco na base. Hoje, as escolinhas de infância estão concentradas nas cidades e cobram valores proibitivos para a maioria das famílias pobres. Precisamos de criar escolinhas comunitárias inclusivas para garantir a formação do ‘homem novo’ desde o berço, moldando o melhor adulto do amanhã. Os megaprojectos devem potenciar fortemente esta área, financiando redes de escolinhas gratuitas onde operam e pelo país fora e podem igualmente apoiar o secto de saúde, atendendo ao défice do Estado de assistência médica e medicamentosa infantil principalmente a nivel das comunidades. E eles geralmente tem ambulatórios nos projectos, bastava abrir espaço para atenderem as comunidades… como fazem alguns quartéis miliatares”.
De acrodo com o jornalista e Activista social Nádio Taimo “A melhoria de vida das pessoas deve ser o principal indicador de sucesso. Queremos ver as escolas cheias de crianças a aprender desde tenra idade, o empreendedorismo local a crescer e os jovens licenciados a liderarem estes grandes projectos no terreno.”
Fundo Soberano: Garantia de Sustentabilidade
Como sinal de maturidade na gestão das receitas, Moçambique deu um passo histórico com a criação do Fundo Soberano de Moçambique (FSM). Com resultados iniciais encorajadores que já superam os 118 milhões de dólares, o FSM funciona como um escape macroeconómico vital. Ele garante a acumulação de poupanças para as futuras gerações e a estabilização do Orçamento do Estado. Todavia, a sua eficácia dependerá rigorosamente de uma aplicação transparente e focada em investimentos de alto retorno social.
Moçambique aos olhos do mundo
Para que o país se consolide como uma verdadeira referência na SADC, em África e no panorama internacional, a capitalização dos recursos naturais deve assentar na transparência, no combate ao analfabetismo e na valorização do potencial humano. Ao travar o desemprego jovem e democratizar o acesso à educação desde a primeira infância, Moçambique não só converterá o potencial mineral em bem-estar social, mas alcançará o desenvolvimento desejado e assumirá o seu lugar de direito na liderança económica global.




