O Hospital Central de Nampula (HCN) regista, em média, cerca de 10 casos por mês de problemas nas cordas vocais, uma situação que preocupa as autoridades de saúde.
A informação foi avançada por Elídio Nhancale, terapeuta da fala no HCN e responsável provincial de terapia da fala no Serviço Provincial de Saúde (SPS), por ocasião do Dia Mundial da Voz, celebrado sob o lema “Cuidar da nossa voz”.
Segundo o especialista, o problema afecta sobretudo profissionais que dependem da voz, com destaque para professores, e resulta, em muitos casos, da negligência nos cuidados com a saúde vocal.
Nhancale apontou o consumo de bebidas alcoólicas e a automedicação como algumas das principais causas.
“Muitas pessoas, quando sentem irritações, não se dirigem ao hospital. Recorrem à automedicação, como água com sal ou gengibre, sem orientação médica, o que pode agravar as lesões nas cordas vocais”, explicou.
De acordo com o técnico, o hospital tem recebido pacientes em estado avançado, devido à demora em procurar assistência médica.
“Temos registado vários casos de profissionais da voz, principalmente professores, que chegam com danos nas pregas vocais e, em alguns casos, necessitam de intervenção cirúrgica”, alertou.
O especialista sublinhou que a falta de tratamento precoce pode levar a complicações graves, incluindo afonia (perda total da voz) e necessidade de cirurgias delicadas.
Além dos factores físicos, Nhancale destacou que aspectos sociais, como discussões frequentes e uso excessivo da voz, também contribuem para o agravamento dos casos, sendo as mulheres as mais afectadas entre os pacientes atendidos.
O responsável recomenda que, em caso de sintomas como rouquidão persistente ou dor ao falar, a população procure imediatamente uma unidade sanitária e evite práticas caseiras sem base científica.
